Crianças de Ontem, Crianças de Hoje {Textos Soltos}

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Em criança, corria e saltava. Arranhava joelhos brincando, e exigia Sol que permitisse demais brincadeiras! Não sei se o que fui em criança, moldou como sou hoje, mas sei que teve um grande papel nos meus gostos em adulta. Olho para as crianças de hoje, e vejo-as apegadas a objectos tecnológicos, sem saltos e piruetas na coreografia da infância – somente movimentos pré-planeados e repetidos do polegar e outros mais dedos, num ecrã táctil ou teclas de um video jogo num computador. Mas animo-me ao olhar para o palco de brincadeiras em redor do meu lar, vendo-as usando uma corda velha para saltar como num trampolim, ou bicicletas para passeios curtos mas divertidos. O telefone servia para chamadas entre amigos distantes, não havia telemóveis. E juro que a existência destes, diminui os momentos divertidos entre juventude. Logo que estes apareceram ,tinha eu dez anos, duas mãos cheias de idade, quando todos em meu redor queriam um. Tinha eu essa mesma idade, e quem eu chamava amigo sabia de eu algo que eu nem sequer imaginava que algum dia fosse existir – internet. Esta maravilha da tecnologia tem suas desvantagens, mas tem igualmente vantagens. Com ela posso partilhar meus gostos e meus sonhos ao mundo por escrita variada, mas acho que prende-nos mais que nos liberta. Por isso, nada faz-me mais feliz que crianças arranhando seus joelhos e rindo com amigos, cicatrizes partilhando – porque isso quer dizer que brincaram! Bonecas sem pernas ou cabeça, porque foram usadas com criatividade! Brinquedos foram feitos para ser usadas até o seu fim chegar, não para serem estátuas no museu da infância perdida. Não foram feitos para adoração, mas para desgaste infantil. Se algum chegar à adolescência, digo-vos que será amado com um sorriso, porque sobreviveu mais que outros. Em criança eu brincava. E não me arrependo nem um pouco, não sinto menos que saudades desses tempos. Da liberdade. Do espaço livre. Do ar. Do movimento. E talvez seja verdade, talvez moldou o meu ser de hoje… porque agora aplico essa criatividade divertida em histórias e contos, que partilho com o mundo. Mas não me arrependo. Porque fez-me quem sou.

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Vigorexia (Textos Soltos)

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Começou com um simples dia a mais por semana, mais um treino, mais uma hora. Um desejo ardente que lhe pulava no peito e o exigia fazer mais, mais e mais. Tornou-se numa obrigação, não um direito mas num dever que lutava por completar diariamente. Quatro dias, cinco dias, seis dias, sete dias por semana. Um hora, duas horas, três horas seguidas. O que antes era suficiente, não iria-lo ser neste momento ou no seguinte. Nada era suficiente. Cinco quilos, dez quilos, quinze quilos, trinta quilos. Pega em mais, luta mais, ergue mais, sê mais. O ginásio tornou-se em sua casa, e sua casa em apenas um lugar para dormir. Amigos perderam-se, família esqueceu-se. Mudou de lar, para puder fazer mais que quando vivia com seus parentes. O trabalho era apenas uma distracção, um método de pagar o que devia, o que o seu cérebro pedia e exigia cada dia mais. Tornou-se num eremita, numa pessoa que vivia para a musculação e máquinas, cujas pernas colavam-se ao tapete da passadeira eléctrica, e mãos às barras. Lesões começaram por surgir. Um tornozelo dorido, um pulso, um ombro, um joelho. Articulações começavam a falhar-lhe, mas ele não falhava à voz na sua cabeça que lhe exigia cada dia um pouco ou muito mais. Descobriu que havia mais para conseguir, que podia tomar comprimidos que lhe forneciam energia e músculos desejados. Buscou-os. Tomou um, dois, três. Tornou-se uma obsessão. Os amigos que ainda restavam, perguntavam-lhe onde ele fora, quem ele era. Mas nem ele sabia quem ele era. Um monstro, um monstro controlado por um cérebro que não era dele. Com pensamentos de que nunca fora suficiente. Olhando-se ao espelho, viu quem nunca queria ser. Caiu sobre os seus joelhos, não sabendo como para-lo. Estava preso. Preso num pesadelo. E só um nome o libertou, só um substantivo o parou e o fez buscar ajuda que precisava, buscar no seu mais íntimo quem o fizera assim e só aí percebeu que eram suas inseguranças que o transformaram num monstro eremita. Recuperação. Era a sua palavra, a que levava perto do peito, lutando todos os dias para tornar-se mais saudável mentalmente, tanto como fisicamente. Menos lesões, mais amigos. Menos horas no ginásio, mais sorrisos e gargalhadas. Ele estivera preso no pesadelo da vigorexia, mas agora era livre.

Nota de autor: Li sobre este assunto tempos atrás, e achei que devia testar as minhas capacidades e pôr-me do lado de alguém que sofre de dismorfia muscular ou vigorexia. É um transtorno psiquiátrico, e como descrevo aqui, precisa de ajuda psicológica para descobrir a origem, como qualquer transtorno psiquiátrico. Espero que gostem, e percebam que tudo o que sei sobre isto, são pontos aqui e acolá de artigos online. 

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Fecha os Olhos e Escreve #54

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É com palavras que compreendemos-nos uns aos outros. É com palavras que percebemos o que cada um de nós quer dizer. É com palavras que dizemos o nosso amor, demonstramos sentimentos verbalmente e explicamos situações complicadas. É com palavras que dizemos o que queremos e não queremos. Cada região tem suas palavras, cada país tem sua interpretação e com essas línguas transmitem-se milénios de cultura. Cultura essa que reconhecemos com um ouvido atento. Anos de história dançam nas suas palavras, nas suas origens. O português é uma mistura de gerações de palavras introduzidas, modificadas e alteradas, podendo identificar-se o rumo que a história seguiu baseando-se no dicionário e vocabulário. Somos todos únicos, cada língua é única, cada população é única – e generalizadamente igual. Somos diferentes e iguais, somos únicos mas não somos só nós – somos todos. Uma população que rege-se pelas leis do vocabulário. Uns usam-no para serem compreendidos. Outros como eu, brincam com ele para criar ideias que nunca foram transmitidas. Seja como for, a nossa língua é perfeita. Porque tudo nela tem significado, origem, definição e poder.

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Para quem tem quem não acredite nos seus sonhos – Uma Carta de Motivação

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Se alguém duvida dos teus sonhos, critica-los ou até mesmo o teu ser, não sintas-te solitário num mundo contra ti. Pedras e paus podem partir meus ossos, mas palavras nunca irão magoar-me? Pelo contrário, aí a sociedade que acredita nessa frase, engana-se. Engana-se redondamente. Palavras são mais ásperas que rochas angulosas, são mais espinhosas que ramos de rosas – são duras, atingem-nos como um mergulho num mar em maré baixa, com rochedos por debaixo; como uma tempestade de granizo que nunca esperámos que chegasse. Palavras doem, doem mas tanto que nem sabemos como elas nos atingiram tanto, quando na verdade esconde-mo-nos no ínfimo do coração gelado que levamos connosco. Porque, quem sofre com críticas, cresce pele grossa – para puder suportar toda a realidade pesada que carrega. Pois nem todos vão concordar com o que nós queremos para a nossa vida. Mas que fazer?

Um sonho, é uma casa. Uma casa de tijolos e construção demorada. Primeiro formam-se os alicerces, o “gosto pela coisa”. Depois o gosto cresce, e torna-se em ligeira obsessão – ocupa nossos dias, nossas noites e nossas tardes e manhãs; nossos dias de trabalho e fins-de-semana, férias e horas de almoço. Puseram-se as paredes e o chão! Só que para puder-mos pôr um telhado, e proteger-nos do frio e chuva… necessitamos de uma ajuda extra, uma escada, uma inspiração exterior, uma motivação nos nossos corações. Pena é, que quando pomos as telhas, a chuva de granizo (leia-se, críticas) começa e destrói o que construímos. Mas o gosto… a ambição… o desejo! – isso continua. As paredes não se desconstruíram, os alicerces lá continuam, a força de lutar lá fica. Por vezes adormecida, por vezes distraída pela corrente destruição, mas permanece. O problema reside, na constante destruição do telhado, que com tanto amor e desejo construímos, com nossas próprias mãos. Desistimos. Fechamos-nos no nosso mundo. Escondemos-nos. Esquecemos o sonho.

Mas não! Aqui estou eu, oferecendo-te as telhas, a escada, um par de mãos e um sorriso; tudo num embrulho dourado e com palavras inspiradoras. “Tu consegues” “tu mereces” “tu és capaz”. E enquanto isso acontece, tu repetes “eu consigo” “eu mereço” “eu sou capaz”, porque consegues, mereces e és capaz.

Quer seja arte ou ciência, literatura ou pintura, canto ou medicina – o teu sonho vale tudo, o teu sonho deu-te força de viver, e se fez-te acreditar num mundo melhor, porquê deitar tudo abaixo, por alguém que não é tu? Alguém que não sabe o quão importante esse sonho é para ti, o quanto ele corre nas tuas veias, o quanto ele preenche as tuas noites com imagens do que poderias ser! Essa pessoa, nunca poderia saber o quão importante este sonho é para ti, porque não é tu, porque não está ligado aos teus pensamentos. Por mais que tentes explicar, talvez seja difícil para eles compreenderem.

Limita-te a acreditar em ti, lutar por isso e nunca desistir. Um dia olharás para trás e verás… que bela casa construíste, que belas paredes decorastes, com os frutos dos seus sonhos e objectivos!

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Fecha os Olhos e Escreve #51

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Disclaimer: Peço desculpa pelo atraso no texto desta semana, totalmente esqueci-me. Tenho tido muito trabalho nas mãos, mas espero que tudo se resolva agora com este texto de criatividade forçada!

É tudo sobre nós. O meu dia revolve em redor dos tempos em que estavamos juntos, dos dias em que nunca passamos um ao lado do outro, às estrelas que observamos em noites separados por paredes e cimento. É tudo sobre o tempo que tivemos com coração colados e mãos suando, e beijos trocados. É tudo sobre o pouco tempo que tivemos juntos, que para outros seria muito, mas para mim todo nunca é suficiente. É preciso sempre mais. Saudades não se matam, saudades ignoram-se.  Elas sempre ficam lá, para crescer mais, entretanto adormecidas até ao dia em que explodem, como um vulcão em erupção após décadas dado por morto. E no fim disto tudo, apercebo-me, que o que um dia fomos nós, nunca mais será, meu não és e nunca vais ser novamente. O vulcão erupte, a lava escorre, as cinzas formam um nuvem nos meus pulmões e sinto-me sem ar. Mas é tudo tristeza que me corroí, não a lava, que derrete a minha força de metal em plástico fraco. E é tudo sobre ti. Somente tu és fonte de minhas lágrimas, somente tu fazes-me sofrer. Até quando estarei neste estado, presa no infortúnio de um coração partido? Talvez, até tu perceberes, o quão falta fazes neste órgão vital quebrado.

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Fecha os Olhos e Escreve #50

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Perdoar não é fácil. Perdoar não vem naturalmente. Perdoar não é algo de instinto, é racional. Por vezes, racionalmente pensar não é a primeira opção, ou terceira ou décima. É última opção, quando mais nada funciona e nada parece estar a mudar para nos favorecer. Perdoar não nos favorece em primeira mão, mas em segundo lugar… fazendo-nos mais leves no final, como uma pena que cai lentamente na palma das nossas mãos, ou um dente de leão cujas sementes voam ao sabor do vento da brisa de verão. Perdoar, não é nosso acto de infância preferido, é o mais detestado. É quando nossas mães dizem “dá um beijo e um abraço” e nós só queremos apertar o pescoço da pessoa mais próxima. E é com caretas e suspiros de gesto obrigado, que o fazemos, sem pensar que aquilo será o melhor para nós, mas para a nossa saúde. O rancor em nada nos favorece, em nada nos ajuda no nosso objectivo de vida – a não ser que o nosso objectivo de vida seja odiar tudo e todos, e ser um ermita. O rancor viaja no nosso sangue e contamina a nossa mente, o nosso coração, o nosso ser. Contamina com um veneno chamado – ódio puro. Perdoar pode não ser fácil, pode não vir naturalmente, pode não ser de instinto ou primeira opção: mas é nossa única opção.

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Fecha os Olhos e Escreve #49

AVISO: Peço desculpa pelo atraso… esqueci-me totalmente que hoje era dia de post!

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Tu és bonita. Tu és uma inspiração, uma obra de arte que todos querem admirar de perto. Tu és bela. Tu és a vida que levas nos teus ombros, tu és o brilho dos teus olhos. Mas ninguém diz-te essas palavras que tanto queres escutar com um sorriso nos lábios, agradecendo. Detrás da tua maquilhagem, ninguém vê tuas inseguranças. Mas se vissem a tua pele real, que diriam? Diriam que és bela, ou bonita? Ou que tuas imperfeições dominam a moldura? As pessoas regem-se pelas aparências, minha pequena menina, não pelo interior. Porque o teu interior é belo, é inspirador e bonito. Mas o teu exterior, não só diz isso, como diz que é imperfeitamente perfeita, e isso está bom. Tens falhas, mas todos temos. Ninguém é uma jarra de porcelana sem rachas, todos temos rachas, mas são as flores que lá pomos que dizem a nossa beleza. São as características que desenvolvemos com o decorrer dos dias – a nossa empatia, sorriso, simpatia – que nos definem. A maneira como mostramos aos outros quem somos.

Tu és bonita. Tu és bela. Com ou sem sombra e batom.

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Fecha os Olhos e Escreve #48

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As princesas de contos de fadas não precisam de coroas brilhantes. As princesas de contos de fadas não necessitam de um vestido longo e que lhes acentue as melhores feições. As princesas de contos de fadas não têm de ser realeza que vive em palácios e é rodeada por cortes fazendo vénias honrosas. As princesas de contos de fadas não vão sempre ser nascidas em berços de ouros, ou ter brinquedos com diamantes desde bebés. As princesas de contos de fadas não são só aquelas belas meninas que fazem tudo certo e nunca têm um erro para manchar o currículo. As princesas de contos de fadas são eu e tu, são raparigas inspiradoras, que pincelam sorrisos nos lábios de todos; são quem usam a roupa que querem, e sabem que merecem o que é de bom e acreditam em si mais que mais alguém. Sê princesa, sê tu mesma. E se achas que princesa não é suficiente, lembra-te que para rainha, só tens de dar o primeiro passo em frente. Nem toda a princesa ou rainha, precisa de um príncipe ou rei. Só de si.

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Apaga esta dor {Poema}

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Diziam que nada era, mas tudo seria
Diziam que nada fora, mas tudo ficaria
As memórias, para nunca desaparecem
Pois com elas, marcas cá permanecem
Que fazer? Somente esperar
Esperar que um dia o vento as lave
Ou que o mar as esvoasse
Por entre as escumbras de um passado
Que eu sempre quis obscurecer
Apagar para o dia futuro que virá
Mas esse dia, nem tarde nem cedo chega
E eu espero, espero tanto
Enquanto tu continuas escondendo-te
Aparece! Aparece! Aparece!
Apaga esta dor que tu fizeste

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Fecha os Olhos e Escreve #47

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Nem tudo vai de acordo com o plano, nem tudo vai de acordo com o esperado. Por vezes a vida toma caminhos menos desejados, mas com destinos improváveis e necessários. Temos de confiar no caminho que percorremos, ou perder-mo-nos neste e não há maneira de voltar ao que antes éramos – somente recomeçar. Esquerda, direita? Caminho cavernoso ou calmo? Não é porque algo parece bom, que será bom – em certas alturas da vida, é melhor seguir o percurso assustador, pois esse vingará e trará boas consequências. Não quer dizer que borboletas não iluminem o nosso caminho, gatos não se rocem nas nossas pernas, flores não inundem as nossas narinas com cheiros que nos convidam para a estrada mais bem apresentável! Só quer dizer que o que aparenta ser, nem sempre é. Não julguem o livro pela capa, pois o livro nada mais é que palavras com significado, não uma imagem sem nada de especial que apenas sobressai perante o consumidor mais bem enganado! Sigam o vosso instinto e… floresceram nesta vida!

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