O futuro do blog?

Peço desculpa, mas ultimamente tenho-me questionado muito sobre o porquê de manter este blog. Sinto que atingi um bloqueio na escrita, sinto que forço-me mais que liberto-me ao publicar aqui. Porém, este blog faz parte de mim e não queria abandona-lo. Não assim, não de repente, não de um dia para o outro.

Por isso é provável que o número de posts publicados… diminuem. Não é provável, é bastante certo. Tentarei publicar ao meu ritmo, à medida que for surgindo inspiração. Sinceramente, não tenho força mental para dedicar-me à escrita, por mais que seja difícil de eu admitir – parece que o meu cérebro desistiu da parte literária.

Não leio livros faz meses, não escrevo uma palavra que seja no meu livro faz semanas. E isto assusta-me. Tenho vinte e dois anos, durante os últimos oito anos, que isto nunca aconteceu, pelo contrário – eu queria escrever, e não tinha tempo. Agora parece que nem o tempo nem a inspiração existem.

Estou num impasse. A tentar perceber o que fazer. Se vale a pena continuar nesta luta literária ou não. Se há chama em mim ou não. Se eu posso… se eu quero… se eu irei. Percebem?

Talvez não faça sentido, mas tinha de dizer algo aqui. Algo para explicar o porquê de talvez não publicar nas minhas rubricas esta semana, o porquê de semana passada o post de segunda-feira não ter existido. Algo.

Isto não é um adeus, isto não é o fim. Isto é um até-logo. Até um próximo texto, até um próximo poema ou até um próxima “diário de escrita”. Por mais que sinta que não consigo atingir o meu “eu” amante de escrita estes dias… eu sei que dizer-lhe adeus seria uma das coisas mais difíceis que uma alguma vez teria de fazer.

Espero que tenham uma boa semana. Vivam os vossos dias, lutando pelos vossos sonhos – e eu tentarei fazer o mesmo.

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Fecha os Olhos e Escreve #42

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Mostra-me como deveria ser. Mostra-me como deveria agir. Mostra-me como deveria pensar, respirar e mover. Mostra-me, porque eu já nem sei como te agradar nos dias que virão. Mostra-me como devo pôr o meu cabelo, conjugar as minhas roupas e atar os meus atacadores. Mostra-me como comer o meu almoço, escolher as minhas músicas preferidas e filmes que queira assistir no cinema. Mostra-me como julgar as pessoas, porque parece que a isso tu és profissional. Mostra-me como associar riqueza a aparência, estupidez a falta de estudos e sucesso a quantos amigos alguém tem, porque eu não consigo. Mostra-me como deitar alguém abaixo, como esquecer que os seus sentimentos importam. Mostra-me como não ter empatia, pois esta emoção reina no meu coração. Mostra-me como ser quem eu não sou, já que o que sou não é suficiente. Mostra-me como ser tu, mostra-me como ser tua cópia, mostra-me como ser suficiente. Porque esta casa não é minha, este corpo não é meu, esta vida não é minha. Quero ser um com os meus amigos, não apenas uma cópia deles – quero ser um e ser única. Quero ser suave como o ar, honesta como a voz do vento, ligeira como relva e graciosa como uma borboleta. Quero ser sincera, como a natureza sempre foi. Quero ser… Quero ser… Quero ser tu o que tu não és. Mostra-me como nunca ser tu. 

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