500 gostos no blog!

23-03-2016

Como podem imaginar, estou tremendamente deliciada com esta novidade! 500 gostos! Obrigada a todos vocês, que visitam, lêem, gostam, e seguem o meu percurso – vocês dão-me força de acreditar nos meus sonhos e estou-vos grata!

Outra novidade… Tenho uma musa na minha vida agora. Chama-se Loki, e é um pequeno gatinho com apenas 2 meses que entrou na minha casa e – além de mordiscar tudo o que exista – animou-nos todos, depois da perda da nossa companhia felina meses atrás. Posso dizer-vos honestamente, é algo que esperava à muito que acontecesse! Mesmo com arranhões incluídos.

Tenham um bom resto de semana, e aproveitem a Páscoa! Muitos chocolates e amêndoas para vocês.

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Crónica de Vida #6 (Asassínos de Animais)

Quando tinha sete anos tive o meu primeiro pesadelo com um cão. Acordei em suor e controlando gritos, e lembro-me de ainda sentir os dentes do cão do meu pesadelo na minha pele e tremer porque doía tanto que eu não compreendia o porquê. Chorei, levantei-me e pedi aos meus pais para deitar-me com eles. Nunca odiei cães ou desejei-lhes a morte.

Os pesadelos duraram seis anos de terror, e no início forcei-me a ficar acordada e perdia noites de sono com medo que os cães me perseguissem e me levassem à morte mental por completo. Fugia de cães em geral e tremia quando os via perto de mim. Nunca odiei cães ou desejei-lhes a morte.

Mas por algum motivo, a população da minha pequena cidade e bairro ganhou um ódio ardente e sedento de sangue por gatos. Acusam-nos de ladrões por rasgarem sacos que estão no lixo aberto, quando os cães que glorificam arrancam sacos das mãos da população. Acusam-nos de desordeiros por andarem em todo o lado e fugirem dos humanos, quando os cães ladram a ameaçam morder alguém e provocam gargalhadas ao ver o medo nos olhos das crianças. Acusam-nos de crimes que nunca cometeram e acham-se réis da justiça por pôr-lhes um fim às sete vidas que supostamente deveriam viver.

Nunca desejei mal a um cão ou odiei-o. Não gosto, não convivo com eles. Mas muitos cães na minha vida conquistaram o meu coração, brinquei e fizeram-me sorrir em dias tristes. Não eram meus, porque se não gosto não vou ter um na minha vida. Mas lembro-me de visitar um tio meu, o que faço muitas vezes num mês, e estar um pouco em baixo à altura do jantar por motivos de cansaço e esgotamento académico. A cadela dele, que sofreu violência quase toda a sua vida e foi resgatada por esse meu tio, passou os primeiros meses nessa casa depois de sofrer fome e ficar desnutrida, olhou para mim e pedia carinho. Estava pedindo a nossa confiança após dias de nós tentando com que ela visse a nós, humanos iguais aos que lhe causaram dor horrível, mental e física, e perdoasse a nossa raça por alguma vez quebrar a regra de “viver e deixar viver”. Sorri e agradeci-lhe, e após esse dia sempre que me vê corre até mim e os meus pais, pedindo por aquele carinho na cabeça, entre as orelhas, como ela gosta. Não gosto de cães, mas é impossível não dizer que certos cães e animais conquistam o nosso coração. Para sempre.

Então porque matar um animal em frente dos olhos do dono, se quando o fazem a essa pessoa assassina causa-lhe dor e raiva previsível?

Numa conversa com uma vizinha minha, meses atrás – talvez um ano – fiquei a saber que alguns blocos distantes do meu, estava acontecendo um motim diário. Alguns cães foram treinados para matar qualquer gato que achassem criminoso por simplesmente respirar. Ela havia testemunhado a situação, em frente dum bar populoso. Os cães cercaram a vítima, o dono gritou obscenidades e o animal apareceu sem vida, sem salvação. Nessa conversa ela partilhou que desejava que os seus animais nunca sofressem esse fim trágico – num cerco de olhos espectadores e nenhuma alma que o salvasse ou sequer pedisse que parasse.

Hoje, nem sequer uma hora atrás, regressei a casa. O gato mais novo dessa minha vizinha, estava jazido na beira da estrada. Os seus olhos abertos e sem vida, pediam por perdão. A nódoa negra na sua barriga mostrava a dor que ele sofrera. Ainda ontem, aquele animal amoroso apareceu na minha varanda com olhos alegre e vida. Eu e a minha mãe sorrimos. A nossa gata, a nossa querida companhia, tem estado doente e não sai de casa desde o ínicio do verão porque não tem forças para tal. Não é a primeira vez que um gato vizinho nos procura com saudades dela, na varanda da frente e traseira, lugares onde ela costumava estar e brincar ou observa-los. Esse gato e a minha gata, gostavam de estar juntos. Chamava-mo-los de “namorados”, porque um estava dum lado da janela a encostar o nariz  contra o vidro, e o outro repetia o processo. Era amoroso.

Agora ele está morto.

Era cedo de manhã, eu estava arrumando algumas coisas na minha sala de estar. Um ladrar raivoso, alguns gritos humanos e obscenidades foram ouvidas e captaram o meu medo e atenção. Corri para a varanda, pensando que alguma criança estava sendo atacada por algum cão, como tantas vezes temi. As palavras “filho da” seguido dum palavrão horrível ouviu-se, dirigido a um pobre gato que nunca magoou ninguém e sempre deixou-me tocar-lhe. Não consigo perceber o que se passa, e de repente vejo. Dois cães saltam-lhe em cima, lançam o seu corpo para o ar e o dono pede-lhes que o matem, matem sem misericórdia. A minha vizinha, a dona, sai e a neta dela leva a mão à boca. Um grito sai dela e a face dela fica branca. Pedem-lhe que volte para casa e beba um copo de água com açúcar. A mulher grita para o homem, pede-lhe que pare e que não o mate. O homem não ouve. O gato salva-se da morte certa, escondendo-se debaixo dum carro que lá estava estacionado. Um segundo gato salta da vedação e esconde-se no segundo carro. A raiva de não atingir o gato chega ao dono do cão, que desiste após dois minutos e puxa os cães pelo pescoço para leva-los para as suas prisões.

Algumas horas depois, o gato está morto. A vingança foi paga, mas qual vingança será se a única coisa que estão a vingar é o facto de uma raça de animal estar viva? Um animal amado, cuidado e que lutou pela sua vida.

E nunca ninguém vai-se importar, porque acham que o bem está feito. Menos um gato, mais segurança. (Mas os cães é que causam ataques). Menos um gato, mais paz. (Mas os cães é que nos causam noites em branco). Menos um gato, um prémio Nobel da paz.

Isto está justo? Ver o nosso próprio animal ser assassinado aos nossos olhos, é justo? As sociedades protectoras de animais nada fazem, porque nada está errado. A polícia não se importa, porque não são humanos. As câmaras municipais ignoram, porque não é trabalho deles. Um assassino nasceu e até atacar um ser humano, não irá ser culpado. O dono que o fez ficar sedento por morte nunca será culpado. Treinam cães para matarem animais, culpam a natureza canina pelas mortes humanas.

Fazem a arma, mas culpam a lâmina por matar. Não o que a usou.

Porque é assim que as coisas funcionam neste mundo.

  • Elizabete Reis