Fecha os Olhos e Escreve #43

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Tenho asas, mas a lado nenhum levam-me. Tenho asas feitas de penas de titânio, mas afundam-me nos precipícios da vida em vez de levar-me nas brisas que o ar cria em meu redor. Tenho asas negras, porque branco faltou-me e paz interior não tenho. Tenho asas, mas de nada servem-me. Pois o seu único propósito era levarem-me até ti, ao infinito, ao eterno, ao maravilhoso. Mas fico-me pelo negrume da mortalidade, porque o infinito, o eterno, o maravilhoso – a mares de distância encontram-se. Perdi-te, perdi-te para todas estas vidas que vivemos, todos os momentos que respiramos, todos os obstáculos que ultrapassamos, todos os segundos que perdemos dizendo adeus, em vez de proclamar os nossos sentimentos. Perdemos tempo, falando do nada, em vez de usar o tempo, falando de tudo. Perdemos os instantes em que o “nós” seria o “tudo” e agora quero voltar atrás, e construí este belo par de asas sem vida útil, porque afundo-me no mar de mágoas que rodeia este paraíso onde encontrei-te, onde o nosso “nada” ela “eles”, e o nosso “nada” para nós “tudo” era. Arrependo-me. Arrependo-me, honestidade não se perdeu dentro de mim. Nada se perdeu, menos a tua presença. Menos o teu bater do coração, o teu bombear de sangue, o teu calor humano, a tua essência. Perdi-te. E agora… perdi-me.

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