Fecha os Olhos e Escreve #18

AVISO: Este texto fala de suicídio, não sei mas se sentem-se mal com este tema aconselho a não ler. Só quis partilhar um tema que abordo na minha nova história. O título dela está escolhido quase, só falta a minha mente dar a confirmação. Sou bastante indecisa. Preciso dizer que isto é uma história ficticia na mesma, e as duas não têm ligação. Só o tema. Se quiserem saber o que me deu ideia para este texto também, foi a música “The End is Not the Answer” dos Three Days Grace. Podem ouvi-la aqui

Eu quis desistir. Estava lá, pronto para começar e terminar o que devia ter terminado fazia já demasiado tempo. Não há força para repensar nas minhas acções, elas já nada me dizem. O fim chega de qualquer maneira, porquê adiá-lo quando o meu dia chegou e eu consigo senti-lo? Nas minhas veias, nos meus nervos, nos meus ossos, músculos. Consigo senti-lo palpitar no meu peito, rastejar na minha pele, conectar na minha mente. Talvez o problema sempre esteve na minha mente, mas não há cura para a doença da falta de esperança. Pelo menos, é o que aprendi. Muitos não compreendem, e quem compreende estereotipa e eu fico na mesma. Balançando numa corda bamba com só um precipício e com porto seguro a milhas de distância.

Penso que ouvi mal, penso que ouvi o vento ou talvez quem no além me pede para entrar cedo. Mas a voz vem deste mundo, do mundo do qual quero abdicar sem peso na consciência. O vento balança-me, a chuva bate-me na face direita com extreme intensidade que faz-me semi-cerrar os olhos para puder aguentar. Oiço novamente. O meu nome. Aquela palavra que conheço melhor que dor, mas que fico a duvidar se pertence mesmo a mim. Não insiro o nome. Não insiro a minha pele. Já nem sei quem sou, mas se não sei quem sou como sei qual o meu nome é e respondo com um olhar doloroso? Um paradoxo de querer ficar e querer desistir se instala. Deixa-la… Deixa-los… para trás é tão doloroso como ficar, ou talvez pior. E se eles ficarem no mesmo precipício que eu, na beira desta ponte com o rio no meio de uma tempestade de Fevereiro por debaixo de mim? Daria eu voltas no caixão? Ou seria mandado para o inferno?

Sirenes, alguém chamou a polícia. E uma ambulância. Os meus pais chegaram perto e vejo o meu pai chorar, algo que nunca imaginei. Olho para a raiz da ponte, de onde nascem pilares e não encontro o que antes vi. Gritam para não saltar, mas um medo cresce em mim. Um medo de ficar. Um medo de partir. Já fiz tanto drama, e se der o último passo? Se voltar para trás, serei o desistente. Lágrimas. Lágrimas? Já não chorava fazia tanto tempo. A dor acumulou-se e não aguentei, agora que choro sinto um ligeiro alívio. Olho para os meus pais e como uma criança que esfregou os joelhos e viu uma gota de sangue, chorei pela minha mãe. E pelo meu pai. Tremores, por todo o corpo. Desci do muro de segurança, voltando para a segurança deste modo sem estar na corda bamba. Mas escorreguei e cai de joelhos. Acho que esfreguei o joelho mesmo. A minha mãe correu até mim e um polícia e um paramédico seguiram-na, sendo que a rapariga – a minha melhor amiga – foi a quarta pessoa. O meu pai deixou-se ficar, com medo provavelmente. Mas no fim aproximou-se.

Sete meses depois e por vezes arrependo-me do seguimento da história. No consultório da minha terapeuta, partilho o momento que levou-me a cometer tal acto ou quase o cometer, e ela nem julgou ou comentou, apenas explicou-me como resolver a situação na realidade e como podia enfrentar situações idênticas. Falar. Respirar. Libertar. Estou lentamente aprendendo essas palavras, e a inseri-las no meu vocabulário. Talvez o meu difícil seja o “libertar”, mas pelo menos sei que a minha família está em casa e a minha melhor amiga à porta do consultório, com um chá numa mão para mim e um café para ela na outra. E aprendi algo novo, que nunca esquecerei, e repito nos dias em que o falar, respirar e libertar não ajudam ou nem sequer acontecem:

Que o fim não é a resposta.

  • Elizabete Reis
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