Fecha os Olhos e Escreve #7

Escreve a história da perspectiva de um amigo imaginário de alguém que não é criança (mais de 12 anos). Mas o amigo só existe porque a pessoa pensa neles, mas recentemente, tem havido outras coisas na sua mente.
(http://yeahwrite.co/)

Anabela. Quinze anos. Cabelos ruivos descontrolados, olhos que mudam de cor com a sua personalidade, e uma altura relativamente alta. Anabela era linda, todos admiravam isso nela. Isso e sua força, ou aparente força. Com a mãe enterrada e um pai que faz turnos extra desde a morte da mulher 6 anos atrás, Anabela cresceu sozinha. Com 9 anos passava os dias com apenas a sua presença naquela casa grande, cujo pai teve de abdicar para mudar-se para um apartamento pequeno, pois para receber mais, viu-se obrigado a mudar de localização. Anabela mudou de vida, escola e estado de espírito. Mas foi logo antes de fazer a mudança de 200 km que recordou-se do arbusto de rosas brancas que a sua mãe plantou no dia em que descobriu que tinha cancro, para dizer à filha para olhar para as flores e pensar em como aquela era a presença da mãe em casa, enquanto ela passava os dias no hospital. Anabela cresceu com a mãe distante durante dois míseros anos até que o dia, o fatídico dia, chegou.

Foi aí que conheci Anabela. A sua dor chamou-me e acompanhei-a. Dava-lhe companhia quando o pai trabalhava e ela ficava sozinha, desde as oito e meia, até às cinco e meia, quando o pai vinha visita-la, preparava-lhe um jantar rápido, despedia-se dela e voltava quatro horas depois. Contava-lhe histórias até ela adormecer por completo na solidão. Só para acordar com o barulho da porta, correndo para os braços do pai.

Tudo corria bem, eu e Anabela tínhamos uma ligação forte. Ninguém mais via-me e isso notou-se quando uma vez, a tempo do pequeno-almoço num sábado, ela falou ao seu pai como eu estava vendo o resultado das palavras-cruzadas do jornal do dia. Lembro-me das palavras dele “Anabela, não está ninguém aqui”.

É esse o princípio de nós, amigos imaginários. Somos como fadas madrinhas que acompanham a pessoa, ajudando-a em tempos difíceis. Já tive de cuidar de muitas crianças, mas nunca apaguei-me tanto a uma como Anabela. E um dia, estava observando-a, com o seu telemóvel de última geração, falando com uma amiga. Aproximei-me dela e aí vi a minha mão. Estava desaparecendo. Era mau sinal. Em breve iria desaparecer, para aparecer na vida de outra criança. Lutei para chamar atenção da Anabela, pois era como ela que queria ficar. Abri a janela e a chuva entrou.

“Espera, Sofia. A janela estúpida abriu-se” Largou o telemóvel por momento e acenei para ela para ver-me, mas nada. Fechou a janela e voltou para a conversa já indo na segunda hora seguida “Agora está, credo”

Derrubei um frasco de perfume, mas caiu no tapete e não partiu. Saltei. Gritei. Nada a fazia lembrar-se de mim. Agora eram as minhas pernas a ficarem transparentes, pouco a pouco todo o meu corpo desaparecia desta dimensão. Com lágrimas que nunca achei possível ter, chorei a perca da minha criança preferida. Agora com 15 anos, livre, pronta para a vida.

Só espero tê-la preparado o suficiente.

E com esse pensamento, fechei os olhos e esperei encontrar outra criança.Talvez uma como Anabela… bonita, inteligente, forte. Simpática, fácil de falar, honesta. Leal e teimosa em coisas boas.

Mas talvez ela só me soa perfeita, porque a sempre imaginei assim, não por ser.

De qualquer maneira, agora sinto-me… com falta de uma peça importante!

– Elizabete Reis

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