Textos Soltos #15 – “Realizada”

(Inspirei-me em músicas da Shakira, filmes como Step Up, Honey e Take The Lead, e coreografias de dança contemporânea – não está bem, mas também não sou dançarina, mas isto é para treinar a minha habilidade de descrição)

Uma mão na cintura, outra no ar. Criando círculos, movendo o pulso, troco-as de posição sincronizadamente, enquanto movo as ancas ao sabor dos instrumentos musicais. Notas musicais são os fios desta marioneta livre, puxando as minhas ancas alternadamente, fazendo com que estas se mexam de forma coordenada e… hipnotizante. Os meus pés descalços estão nas pontas, e é neles que me baseio, onde pulseiras nascem que animam o meu tornozelo num tom dourado. Moedas chilriam nas minhas ancas e peito, que o top azul turqueza e saia comprida seguram, cozidas com amor. Movimentos sensuais dominam-me e fazem-me transmitir a sensação de altura em poder e de alegria que brotam do meu interior. A minha energia está centrada no meu ventre, e é ela que nutre o meu sentimento de vencer tudo e todos. Dança é vida, dança sou eu, dança é tudo para mim. Os tecidos flutuantes criam ondas coloridas no palco, as tatuagens de hena nas minhas mãos dão escuridão e profunda arte à minha pele, e o meu olhar confiante garante palmas que só enviam stamina para eu continuar.

Mas o fim chega. Uma colega minha sobe ao palco, e a música anuncia uma mudança de cenário. Ela e umas amigas entram no sitio que era meu, com seus calções e tops curtos que permitem facilidade de movimentos, sem serem distraídas por um abanar de moedas douradas que criara uma música que agora vivia apenas na memória longa dos que a testemunharam. A memória curta… essa seria dominada por sons rápidos, electrónicos e energéticos que fluíam e inspiravam as participantes. Todo o palco tremia quando saí com o barulho das colunas. As sapatilhas delas batiam pesadas contra o solo. Faziam diversos movimentos que em nada igualavam-se aos meus, mas pareciam baseados nestes. O abanar das ancas e peito, eram idênticos – mas não movimentavam as mãos, mantinham-nas rígidas ou a parecer que ajudavam o movimento original. Davam pulos altos, faziam provas de flexibilidade e passos rápidos que originava uns “ah” e “oh” do público. A música acabou com um forte ruído e o silêncio instalou-se. Seria o fim?

As luzes do palco e da audiência apagaram-se. Quem não tivesse ido aos treinos, não acreditaria que o espectaculo teria continuação. Uma música acústica de guitarra instalou-se no lugar. O grupo de raparigas sairam de soslaio do palco e uma luz iluminou a entrada para a audiência, nas traseiras do salão. De lá nascia uma rapariga, com os seus pés descalços, um vestido branco que descaía num dos ombros, e cabelo solto, livre para dançar com ela. A guitarra parou e ela colocou-se nas pontas dos pés, dançando calmamente ao som das teclas do piano que animava aquele lugar. Com pulos e paragens no seguimento da música, ela percorreu o corredor vermelho até ao palco, subindo dramaticamente. Lá, deitou-se no chão, esticando as pernas para o tecto, rodopiando-as, curvando o corpo para trás e para os lados, fazendo movimentos suaves de ligeiros passos de dança contemporânea. Contando uma história com o seu corpo, pondo os promenores com os membros superiores, clarificando as vírgulas com saltos e explicando os acontecimentos com expressões faciais dignas de atriz. A música acabou no momento em que ela se abraçava e suspirava, mostrando a aflição da personagem, enquanto o silêncio matava a perfomance.
Voltamos ao palco todas, de mãos dadas, atrás das cortinas que cairam, tapando a nossa visão e a visão dos outros para nós. Olhamos uma para as outras, sorrindo. Nunca me sentira tão bem, como neste grupo tão diferente. A dança une-nos, isso é verdade. E quando as cortinas abriram, olhei para a audiência e pausei a respiração. Fiz a vénia. Voltei a respirar. Sentia-me bem, sentia-me alegre, feliz, contente – que mais podia dizer? – sentia-me… sentia-me…
Realizada.

– Elizabete Reis <3, inspirada e apetecendo dançar

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