Textos Soltos #2 (Amargo amor)

Como sumo de limão, amargas-me a vida que julgava doce. Prendes-me à terra quando Deus deu-me asas e largou-me no céu. Tornas-me em areia que enche praias e em de nada é especial; um mineral vítreo, um espelho de obsidiana que nada mostra, sem ser uma imagem negra, como o meu coração como quando me deixaste.

E talvez por isso procuro nas palavras alento, vida e uma corda que me puxe da mina da tortura em direcção ao solo húmido do paraíso, regado com flores e erva fresca, e plantas que animam a aparência.

Agora, sem ti, sou um jardim com crianças, sou um girassol num dia de fins de Julho. O sumo de limão tem açúcar, as tuas amarras não me seguram, a areia ficou vidro, porcelana talvez – sou exposta numa prateleira e apreciada, não desprezada e abandonada como antes me sentia na tua praia de traições e facadas.

Talvez por isso sinta-me melhor, com peito mais cheio, com altura elevada, com posição superior. Talvez por isso seja capaz de dizer-te “adeus” e acreditar nisso. Talvez seja mesmo capaz de tal. Talvez assim o faça. Adeus.

Elizabete Reis (04-10-2014)

Anúncios

Deixa uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s